Sobre meu mundo

Tento descrever-me como aquela ave que ainda não soube completamente onde há-de-pousar para encontrar-se. Pertenço a mim mesma e isso já é o maior dos motivos para respirar até quando pareço afogar-me em meus próprios sentimentos. Achei que já não estaria mais aqui. Me afoguei. Ele me salvou. E agora estou aqui correndo no sentido correto ou pelo menos tentando descobrir para que lado correr. Não tão sozinha. Mas em sua companhia.

Tento descrever-me como alguém que sonha em encontrar o irreal. Ou até, por que não, alguém que vive no mundo dos sonhos que sempre quis que existisse.

Gosto de pensar assim.

Gosto de sentir assim.

Criei meu próprio mundo. Nele evito qualquer afogamento. Nele só sou eu mesma. Nele só quero ser eu mesma. Sem medo de pousos de emergência ou sem medo de que cortem as minhas asas ou que impeçam-me de voar.

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Sem título

As coisas reaparecem dentro de mim como se nunca tivessem sumido e então eu percebo que elas sempre estiveram aqui. Por bem ou por mal. Elas sempre estiveram aqui. E o que eu mais quero e o que sinto é que preciso de alguma forma me livrar dessas coisas. Elas apodrecem aqui dentro, e vezenquando essa podridão começa a explodir e contaminar todas as coisas boas. E eu não posso permitir que isso aconteça e que eu me perca novamente. Eu me encontrei e não posso me perder novamente. Sei que não vou. Mas mesmo assim eu temo.

Eu tenho medo assim como qualquer ser-vivo possui medo do fogo. Eu tenho medo assim como as pessoas temem o tempo. Porém, eu não tenho medo do tempo que está por vir ou até mesmo do futuro. Eu tenho medo do meu passado e do quanto ele pode me assombrar.

E eu só preciso perder isso tudo para que assim, eu ainda possa sentir que as coisas tomaram o rumo certo.

Maktub.

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É mais um dia normal como qualquer outro dia qualquer. Parece normal. Tudo em ordem.  Tudo acontecendo como deveria acontecer.

Exceto por um detalhe que eu ainda não sei que acontecerá. Exceto por um detalhe que mudará a minha vida para sempre.

Para sempre.

É sexta-feira, 08 de setembro de 2017.

Visitam-me.

Tudo ainda ocorre em minha mente como deveria ocorrer.

É sábado.

09 de setembro de 2017.

Madrugada. Hora de dormir. As visitas dormem . Eu estou pronta para dormir.

2h34 da manhã. A nossa hora. E a hora que tudo muda drasticamente.

Eu o encontrei.

O encontrei da forma menos banal, mais improvável, mais estranha, mais sensacional, mais eu, mais ele possível. Eu o encontrei.

E o mundo se iluminou de uma forma que nunca saberei descrever.

Meu mundo reascendeu de uma forma que nunca pensei que acenderia.

Meu coração parou e ao mesmo tempo que parava ele saltitava no meu peito e eu sabia que nunca mais eu me sentiria da mesma forma. Eu sabia que eu nunca iria sentir aquilo por mais ninguém. Era como se eu tivesse encontrado meu sentido. Mesmo sem saber que aquele era o meu real sentido naquele momento.

09 de setembro de 2017.

Acordo sorrindo.

12h44 da manhã. Continuo a sorrir. Era ele. O motivo pela qual eu sorriria desde aquele dia. O motivo pelo qual eu senti meu coração contente como nunca. Ele me chamou. E eu o escutei. E tenho o escutado todos os dias. Desde o melhor dia da minha vida. Ou um dos. E eu sabia e sempre senti que os outros melhores dias da minha vida viriam e seria ele o motivo.

Sinto-me segura. Não mais presa em algo que nunca foi eu, ou que nunca fui eu. Sinto-me segura em seus braços e não mais querendo escapar de algo que me fazia infeliz ou incapaz de sentir-me completa. O meu mundo se iluminou. O meu mundo segue se iluminando e o motivo sempre foi ele. Sempre será ele. E ele. E só.

Já não mais dona de mim, mas dona de nós. Virei dona de nós dois. E os nós que existem em nós nunca poderão ser desamarrados. Nunca mais sairão de nós. Porque ele é a minha pessoa.

Maktub.

Estava escrito. E todos os dias escrevemos. E todos os dias sabemos que sempre escreveremos. Juntos. Palavra por palavra. Parágrafo por parágrafo.

Sempre existirá nós.

Desde aquele dia.

Sempre será nós.

Porque eu sei que nunca poderei perder a razão de eu ter sentido tudo que eu sempre sonhei em sentir.

Minha utopia realizada.

Meu Gabriel.

Paz lapidada.

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São muitas as coisas que eu poderia escrever, mas são poucas as que eu me atreveria a dar minha opinião. Não que seja preconceito comigo mesma. Simplesmente não gosto de aparentar o que não é.

Já é madrugada, e enquanto penso e escrevo, os meus olhos tentam permanecer fixos em uma folha de papel. Talvez nem sempre fale coisas que merecem ser lidas. Não importa muito esses detalhes que incluem me importar com o que os outros irão pensar, falo comigo mesma. E eu sou a minha melhor companhia. Gosto de superar desafios. De querer o impossível. De pensar o que ninguém se atreveu a ter em mente. Talvez não seja bem humana e por isso me sinto de outro planeta. Talvez seja. Talvez pareça que seja. Talvez. Ah, talvez.

Não me atrevo a saber o que eu penso. Nem eu sei o que eu penso. Mas eu sei que isso é estranho. Minha mente acredita que isso continua não sendo. Meu maior desafio agora é simplesmente permanecer acordada. E confesso que às vezes eu tenho medo de adormecer e flutuar demais. Mergulhar em um mar de sonhos e acabar me afogando. São esses tais medos que se atrevem a me fazer acreditar no amor recíproco. Ou no improvável, quem sabe. Gosto de sonhar. Mas não gosto nem um pouco de me iludir.

Lembro-me da vez que me disseram que o “para sempre” sempre acaba. Grande merda. Simplesmente. Literalmente. Isso não existe quando você acredita que o “para sempre” existe. Ele existe sim. E não existe ninguém no mundo que tire isso da minha cabeça. Existem exceções para o “para sempre” não acabar. E eu sonho em ser uma dessas exceções. Mas não quero me iludir demais perante a isso. Não gosto de pensar que me iludi, mas isso já aconteceu milhares de vezes em meus sonhos.

Vezenquando a minha vida perde o encanto.

Como a de muitas pessoas.

E me pego olhando para o céu azul, e perguntando coisas como: “Por que você está tão bonito sendo que estou corroída por dentro? Por que a vida se atreve a fazer isso? Não posso mais sonhar?.” E sabe o que essa coisa que-chamamos-de-vida me respondeu? Nada.

Absolutamente nada.

Não tenho medo das pessoas, e nem da vida. Tenho medo de acreditar demais. Esse medo pode acabar comigo muitas vezes. O medo das pessoas nos isola. Ficamos sem rumo. Achamos que isso é o pior de tudo. Mas nada é pior do que o medo de viver. Você está morto, mas seu coração continua batendo.

Gostaria que o tempo parasse de uma vez, ou pelo menos ficasse um tempo mais lento para pensar nas consequências de muitas coisas. Não sei direito se estou falando coisa com coisa. Estou pensando comigo mesma coisas que não devia pensar em momentos como agora. Sinto-me presa a coisas tão sem graça. Opacas. E nesse momento me sinto cega em um mundo que todos conseguem ver. Minha perspectiva de vida continua a mesma. Pessoas iguais. A parede do meu quarto sempre a mesma. Mas eis uma coisa que nunca é a mesma: O coração. Que simplesmente bate, sem destino, sem saber pra onde ir. Só bate. Apenas.

Quisera eu ter o contrário. Possuir o impossível. Quisera eu viver até o momento que meu coração parasse de bater com alegria. Não digo nada agora. Já me sinto sem palavras. Tudo passa como um flash pela minha cabeça e meus dedos não conseguem alcançar a velocidade dos meus pensamentos. Queria um dia entender essa coisa, essa coisa. Eu mesma. Essa coisa sou eu mesma. Pudera eu um dia me entender. Pra me entender não é necessário olhar nos meus olhos, e muito menos me conhecer. Basta saber sentir cada letra e parágrafo que escrevo. O que é difícil pra quem não é acostumado a falar em sentimentos. E muito fácil para quem sabe pra que existe o coração. E sabemos que vai muito além de nos dar vida. Isso é certo.

Então, suponhamos que não esteja tarde. Que eu não tenho sono. E que esse surto de inspiração que espero apareça e me atinja de uma vez por todas. Eu estaria tecnicamente me libertando. Sinto-me desabafando para pessoas que nunca vi em toda minha vida. E tenho esperança que elas saibam do que estou falando. E que esses sentimentos que sinto sejam recíprocos.

Com o tempo as pessoas acabam criando falsas expectativas sobretudo. E infelizmente, sou uma dessas pessoas. Sonho alto, sendo que nem saí do chão. E sinceramente, gostaria de sair do chão pelo menos por alguns segundos.

A realidade.

Dói muito.

Mas temos que aceitar a realidade.

Só queria ter mais coragem de seguir meus próprios conselhos e deixar tanta coisa inútil de lado.

É normal seguir em frente. Querer tudo. E quando der o primeiro passo do seu caminho, dar um tropicão feio. E com isso ficar insaciável de vontade de viver. Os problemas muitas vezes já deixaram minha visão ofuscada. Os sorrisos muitas vezes não foram os que eu realmente queria mostrar. E isso nunca foi falsidade, foi apenas medo. E como me sinto irritada com esse medo. Droga!

O lado bom de tantas dúvidas, acredito que seja para não criarmos falsas perspectivas, coisas duvidosas, ou expectativas sobre tudo. Mas como a vida quer que não sonhamos, sendo que ela vive a nos iludir? Esperar demais cansa. Causa impaciência. E pode ter certeza, não sou nada boa nessa coisa de esperar.

Olhem só, sinto que já falei demais sobre sentimentos. Ou sobre coisas incompreensíveis. Já amanheceu. E é nesse momento, que bebo meu café, amenizo a dor das incertezas. Pego minha mochila. E continua a seguir, nessa coisa que chamo de maratona de vida.

Aquarela

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As folhas caem juntamente com a chuva lá fora. O vento quer me levar. Eu não quero que ele me leve. Quero permanecer onde estou para não perder esse instante. Ainda não faço ideia como serão as coisas daqui pra frente, então eu prefiro permanecer aqui para que assim, eu não perca esses sorrisos constantes que a vida me deu de presente. Mesmo sendo louco, eu não queria que o tempo passasse. Eu fico parada. Mesmo sabendo que a vida vai me dar de presente muito mais sorrisos. Eu me sinto completa. Mas sei que ainda irei transbordar e quando olhar para o lado estarei de mãos dadas com alguém que irá me fazer mergulhar sem que eu me afogue.

Não irei mais me afogar. Por mais que eu não saiba nadar eu sei que não irei mais me afogar porque tenho alguém que me salve.

Eu olho pra cima e não espero mais a chuva de trovoadas me atingir sem sequer me mover. Eu olho pra cima e eu sorrio para a chuva. O vento ainda quer me levar. Mas eu não quero me mover. Eu não quero que isso termine. Eu não posso permitir que esses sorrisos acabem.

Ainda chove lá fora. Ainda chove faz algum tempo. E parece que não vai parar tão cedo. Estranho pensar que por mais que os dias estejam cinzas eu ainda sinta meu coração tão colorido como nunca esteve antes.

É engraçado pensar que meu coração ficou colorido porque alguém fez dele a sua aquarela.

Ventania

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Viaje em seus mais doces sonhos e acredite que tudo é possível. Procure por aquilo que lhe dá paz, porque é de paz que todos nós precisamos. E se encontrar paz você não sentirá falta de mais nada.

Não pense que os sonhos estão distantes. Não pense que que a vida é feita de tempestades pois, às vezes as tempestades existem para nos mostrar que não podemos viver apenas com aquilo que alcançamos porque simplesmente aquele não é o nosso destino.

É preciso viver a realidade, para assim, alcançarmos os nossos sonhos.

A ventania serve para nos mostrar o caminho certo. As gotas da chuva servem para nos dar um banho de realidade no momento em que estamos cansados daquilo que não queremos viver. E os relâmpagos servem para nos fazer acordar.

Acordar mas ainda assim perceber que se está sonhando. Porque não há nada mais doce do que estar de olhos abertos e ter a sensação de que ainda não acordou.

Triste seria

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Constantemente partes de mim voam pelos céus e passarinhos as levam sem nem previsão para a volta. E eu tenho medo. Constantemente essas partes de mim se perdem e sei que nunca mais as terei de volta. Nunca as tive. Se foram. As coisas vão sem previsão de retorno. Os sentimentos se vão sem nem termos certeza do que será. Eu não sabia o que seria de mim. Eu sinto medo. Eu sempre senti medo. Como se eu estivesse presa em um mundo que não era para ser o meu mundo.

Triste seria se eu não tivesse te encontrado. E mais triste seria se eu não tivesse te esperado. Mas eu sou paciente quando o assunto é sentir, e tu sabes muito bem disso. Partes de mim teriam se perdido pelo caminho e nada mais seria o mesmo. Mas sorte que te encontrei. Ou não tanta sorte assim. Acho que não existe sorte quando o assunto é sentir o real quando esse tal de real, é um sentimento que me aquece de forma com que me sinta em frente a uma lareira em nossa pequena cabana no inverno. E por mais que, talvez, pequenas partículas de mim tenham ficado pelo caminho, sinto-me mais completa: como se tu tivesse pego e trazido eu de volta para mim mesma. Eu me encontrei. Estranho ainda seria se não tivesse me encontrado. Sempre esperei pela bússola, e meio que havia desistido dela. A maior certeza de todas agora é que eu desisti de vez de me encontrar sozinha. Porque agora tenho as tuas palavras pra me ajudarem nessa busca incessante que é não me perder.

Avesso

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Eu quero estar junto até quando não estou. Sei que pode soar estranho mas eu só quero que perceba que estar perto pode ser estar dentro da minha alma mesmo e isso já aquece boa parte do meu coração de uma forma que nunca aconteceu antes. É louco pensar em como as coisas podem acontecer dessa forma, mas o melhor de tudo isso é saber que tudo segue louco como a gente mesmo. Tudo doido como a gente. Constantemente as coisas podem não estar organizadas dentro de nós, mas a gente se bagunça da nossa forma, e eu com certeza não me importo com essa bagunça. Não mais.

Eu não me importo mais com horas, se o dia faz sol ou chuva. Eu não me importo se o mundo está virado do avesso. Eu não me importo se algo não deu certo. Nada mais parece o mesmo. Sinto que o que realmente importa é sentir. Sentir as palavras, o silêncio, as conversas incansáveis e até mesmo as canções. O que importa é dizer a todo minuto que nada parece o mesmo e que o meu mundo ficou mais colorido.

E sim, é possível que ele tenha ficado muito mais vivo agora. É possível que talvez até as libélulas consigam sentir meu sorriso e me sorrirem de volta.

Eu sei, é estranho. Tá tudo estranho mesmo. E é um estranho bom de sentir. É um estranho que me aquece. É um estranho que não quero perder.

 

Mude o seu mundo.

 

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Passaram-se trinta dias desde minhas últimas palavras por aqui, e tenho que lhes contar que eu perdi minha bússola. Não, não a perdi sem querer perdê-la, mas a perdi porque não prestei mais atenção, a perdi porque queria perder, a perdi porque agora sinto que jogar as coisas para o alto pra ver no que vai dar parece uma boa opção pra mim.

Não vale mais a pena usar os pensamentos ruins como desculpa para não encontrar o caminho. Não vale a pena usar pessoas ruins como desculpa para dizer que se está sozinho, não vale a pena imaginar coisas e lutar por elas para depois se frustrar depois.

O que está valendo a pena: é o agora.

O agora é que tenho. O agora é a minha certeza. O amanhã não se sabe mais. Melhor seguir com certezas do que com dúvidas. Melhor viver sem medo do que esperar por tombos que não saberei se acontecerão.

Se alguém encontrou a minha bússola, espero que em algum momento perceba que não é tão bom quanto parece depender de algo pra tentar se encontrar. O que vale a pena mesmo são todas as coisas que podem deixar o mundo ao meu redor melhor. Um sorriso. Uma palavra. Um gesto. Fazer a diferença.

O egoísmo é uma droga. Viver apenas para si não é o caminho.

Eu quero viver para o mundo. Para mudar o meu mundo.

Bússola

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Apenas mais um daqueles dias eventualmente vazios em que as coisas parecem perdidas ou totalmente sem sentido, mas tudo isso por apenas não ter planos a seguir. Vezenquando eu me perco, mas as coisas são assim mesmo. Tento deixar a vida seguir um fluxo natural e calmo mas minha impaciência e ansiedade não são minhas companheiras nisso, temos opiniões diferentes e elas gritam constantemente de que preciso das coisas pra já. Apesar disso, eu gosto – e não gosto – da sensação de incerteza e de deixar tudo no seu tempo. Dias nublados não vão existir para sempre assim como dias ensolarados nem sempre acontecerão. Acontece que agora meu coração é a minha bússola e vou apenas obedecer os pensamentos dele.

Eu só preciso me conter. Quando me dou conta da velocidade que as coisas acontecem, já é tarde demais. E isso dói. Machuca. Sangra por dentro. Dói a alma por saber que poderia ter feito algo bom, e que por falta de tempo acabei não fazendo.

Eu tenho medo de me perder.

Isso todos já sabem.

Queria uma mão pra segurar caso tudo fosse perdido.