Tropeço

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No momento em que tropecei em meus próprios cadarços resolvi finalmente parar para observar a paisagem que me cercava. Essa tal de vida que seguia em minha frente costumava me cegar de uma forma inimaginável e mesmo assim, eu seguia querendo ver coisas que nunca havia visto antes, meio-sem-querer, eu acabava esquecendo que entre cada passo existiam barreiras, em cada barreira pedras, e em cada pedra uma espécie de abismo constante que, se eu caísse, sabia que um novo caminho surgiria e eu consequentemente ficaria mais perdida do que costumo ficar. Constantemente me via perdida e nem as migalhas deixadas pelos caminhos conseguiam fazer com que eu não me sentisse só. Colocava toda força que eu conseguisse pra suportar cada dor sentida, mas nem isso eu conseguia. Então, eu acabei fazendo algo que eu deveria ter feito a muito tempo: desamarrei meus cadarços, tirei o meu tênis, e segui descalça. Se for pra caminhar, que seja intensamente, se for pra sentir, que seja muito. Mesmo pisando em todas as pedras desse caminho, vezenquando eu, ao invés de ultrapassá-las, sentava em uma dessas pedras pra simplesmente observar a paisagem.

Existe coisa melhor do que sentir que se está vivendo?

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