Ondas

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Estava eu no meio do nada esperando ser chamada para algo que mudasse minha vida. Aquele tipo de coisinha que me faz flutuar e agradecer por não ter os pés no chão naquele momento. Mesmo que manter os pés no chão faça eu me sentir segura, existem instantes que preciso me sentir com asas para que as coisas ao meu redor sejam vividas mais intensamente e para que tudo faça ainda mais sentido.

E é muito difícil me fazer flutuar, eu confesso. Posso estar muito feliz e adorando cada fração de segundo, cada sorriso ou cada suspiro no olhar. Mas o que gosto mesmo são de momentos que fazem eu transbordar em mim mesma e quase-que-sem-querer me afogar de uma forma em que perca todos os meus sentidos mas surja novamente de águas profundas suspirando e sabendo que aquilo tudo foi único.

Infelizmente não sinto mais momentos únicos – eu não me sinto mais única -. Sinto que me tornei uma poeira em um mundo sem rumo causado pelas minhas escolhas. O mundo é imenso e vai ser muito difícil d’eu conseguir limpar essa poeira sozinha.

Mas vezenquando eu ainda consigo me encontrar: eu consigo me encontrar em momentos que me transbordam. Eu me perco constantemente. Eu fico agoniada. Fico com medo. Fico ansiosa. Fico transbordando sentimentos ruins ao invés de transbordar os bons. E isso me deixa com dúvidas.

Eu sou uma simples poeira esperando para ser encontrada e limpa por alguém. Sou uma pequena poeira nesse mundo enorme. Eu preciso me afogar. Eu preciso flutuar.

Eu mal posso esperar para transbordar novamente aqueles sentimentos que me trazem paz.

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Necessidade

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O fato mais difícil de aceitar em mim sempre foi o de demorar para parar de insistir em coisas que não valem a pena. E isso acaba fazendo com que meu interior fique levemente ou brutalmente machucado por conta de pessoas que aparecem, ficam apenas alguns minutos, tomam apenas um café e já partem pra outra. Querendo ou não, partir sempre foi uma palavra difícil p’eu superar.

Constantemente comento que a vida deve ser vivida com a maior intensidade possível e, que ela nada mais é do que formada de momentos. Sei o quanto isso é verdade. Porém, eu sou fraca. E tudo que acontece a minha volta é tão intenso que eu vivo momentos querendo vidas, eu vivo momentos já esperando por outros, eu estou dentro de um abraço de despedida esperando pelo próximo abraço de olá. O que eu menos espero é que o abraço de despedida por ter sido um adeus e não um até logo como eu suspeitava.

Minha cabeça martela todos os minutos que devo esquecer desses momentos ou apenas sorrir lembrando que existiram. Mas pra mim é difícil amar um momento e sorrir mesmo sabendo que nunca mais terei aquilo. Minha cabeça martela que devo esquecer. E eu tento, eu juro que tento, mas a saudade já virou rotina dentro de mim mesmo ela corroendo meu coração frágil. O que me salva disso é saber que meu coração segue grande, e nele ainda existem paredes intactas que um dia eu sei que serão machucadas, mas até lá, as outras já terão cicatrizado.

Queria esquecer.

Queria ver estrelas hoje. Queria ver a lua hoje. Queria ver a natureza hoje. Mas tudo isso me remetem lembranças. Queria ir pro meio do nada hoje. Queria caminhar hoje. Queria gargalhar hoje. Queria abraços hoje. Queria o teu abraço hoje.

Queria muita coisa hoje.

Mas muitas das coisas que eu queria me remetem lembranças que já se foram.

Queria esquecer.

Queria esquecer mesmo sabendo que sorri.

Mesmo sabendo que me fez bem.

Mesmo sabendo que vivi da forma mais intensa possível.

Isso tudo é muito confuso. Mas muito intenso.

Ainda existe muito amor aqui.

E se você está lendo isso, sabe que partiu da minha vida querendo ou sem querer, saiba que não esqueci, que ainda lembro, que eu não paro de pensar, ainda me importo e ainda te queria de volta pra me fazer sorrir mesmo eu sentindo medo de uma provável partida.

Eu sinto pena de você.

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Eu sinto pena de você, pessoa que não consegue viver sozinha, que vive de mentiras, que acha que fazendo certas coisas vai se sentir menos incompleto, mas não, só vai se sentir mais sozinho e vazio.

Sinto pena de você, sinto pena por acreditar em momentos que já tiveram fim, e mesmo assim, insiste em acreditar que tudo vai continuar bem, tudo legal, tudo ótimo. Acabou.
Eu sinto pena de você, que acha que deve sentir pena dos outros, que foge dos seus problemas, que engana a si mesmo, que cria sentimentos pra que as pessoas se prendam a você, que se faz de vítima quando não aguenta suportar uma verdade, que acha que não conhece ninguém e ninguém merece sua confiança, mas não, você não conhece nem a si mesmo, e não, não confia nem em si mesmo. E não, ninguém merece confiar em você.

Sinto pena de você, que às vezes sorri para esconder uma lágrima e chora para esconder uma aparente felicidade. Sinto pena por se fazer de forte para o mundo. Por usar uma máscara para esconder seu verdadeiro eu. Desculpa a sinceridade, mas isso é ridículo. Você sempre percebe o quão insensata é essa atitude, mas por pena de si mesmo insiste em agir com tamanha insegurança. Você engana a todos. Você engana a si. Você engana o mundo. Mas a mim você não engana.

Eu sinto pena de você que pensa que as pessoas te amam demais e você as magoa para se achar um fardo, pensa que você que ama, mas não, você não ama nem a si mesmo. Você que precisa de tanto esforço pra conseguir sorrir. Faz os outros sorrirem e depois joga fora. Qual é a graça disso tudo?

Sinto pena por olhar com olhos tão inocentes para as coisas mais inimagináveis do mundo e mesmo assim desacreditar da sua própria vida.

Que inconsequente, que mutável, que imaturo!

Sinto pena de você, por amar sem intensidade por medo de se entregar, por medo de se prender, por medo do que os outros irão dizer. Você só quer tentar ser forte, você quer parecer forte. E infelizmente no momento que você assumir seu verdadeiro eu para o mundo, estará sozinho. Eu sei o quanto você é triste. Não me pergunte como, mas seus olhos, eles nem brilham mais.

Um dia você vai se olhar no espelho e ver que o amor é que faz a vida, e que sua vida é uma mentira.

Sinta pena de si mesmo.

 

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  • Texto escrito em 2010 mas adaptado para o meu sentimento atual.

Eu sinto pena de mim.

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Sinto pena de mim que ainda segue acreditando nas pessoas mesmo elas me provando que a confiança nelas não vale a pena. Eu sinto pena de mim que possui coração puro mesmo o mundo ao meu redor tentando fazer eu ter um coração de pedra. Sinto pena porque a bondade faz parte da minha essência e isso é uma coisa que não consigo mudar.

Sinto pena de mim que insiste em tentar entregar o coração pra pessoas que só usam ele como brinquedo e nada mais. Sinto pena de mim por tanta gente saber o tamanho do meu coração mas ainda assim cair em palavras falsas de pessoas que só querem se aproveitar da minha ingenuidade.

Eu sinto pena de mim.

Eu sinto pena por ser tão ingênua. Sinto pena de mim por acreditar que todos possuem uma alma bondosa. Sinto pena por conhecer almas bondosas e por esse motivo acreditar que cada pessoa mesmo com maldade, pode mudar e se transformar em alguma coisa boa.

Sinto pena por sentir demais, por ser intensa demais, por amar demais e ser retribuída de menos, ser sentida de menos, ser amada de menos. Sinto pena por querer demais, chorar demais, me importar demais. Sinto pena por ninguém conseguir secar essas lágrimas, sinto pena pelas pessoas que tentam secar e não conseguem porque sigo me importando achando que o motivo do meu choro irá voltar e secá-las.

Sinto pena de mim.

Mas mais que tudo, sinto pena de quem foge com medo da minha intensidade. Eu sei que eu assusto por ser assim. Mas a vida não tem graça nenhuma se você só sentir medo e não quiser chegar perto de mim.

Ânsia

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Ano passado acordei com ânsia de viver, mas a sopa de sentimentos que me envolvia não me deixava nada mais do que perdida em um mundo que nunca foi meu. Dia após dia, eu acordava com ânsia de algo que não sabia o que era. O tempo passava e cada vez mais sentimentos batiam em minha porta, sem ao menos eu ter convidado, e quando menos percebi, já não tinha mais lugar à mesa. Comecei a cansar. Mas como eu não podia ser chata, convidava-os para entrar, e sentar-lhes em meu sofá. Servia-lhes um grande prato cheio de desilusão e sonhos, e acreditava que já na primeira colherada eles iriam perceber do que eu precisava.

De nada adiantava.

Eles permaneciam ali. “Do que você precisa, moça?” – Eu não respondia. Permanecia calada. Afinal, do que eu precisava?

Dias foram passando, dia após dia de ilusão. Estava desgastada, os sentimentos que ali estavam, passaram a me deixar alucinada. Eu achava que isso permaneceria por muito tempo. Mas me enganei. Por incrível que pareça, eu comecei a me encontrar. Me encontrei no amor, na saudade, na paz e nos sonhos. Era disso que eu tanto precisava, e por tanto tempo não reconhecia nem mesmo o que via diante dos meus olhos.

Mês passado acordei com ânsia de sentimentos, que por mais que tenham vivido tanto tempo me cercando, pareciam ter me deixado ainda mais em dúvida do que realmente eu vivia. O amor estava sempre presente, mas nunca em corpo, apenas em coração. A saudade vivia escondida entre telefonemas e cartas daqueles que já nem moram mais aqui. A paz estava guardada em algum lugar, mas parecia que eu havia a perdido. E os sonhos? Não eram nada além de sonhos daquela que queria viver, e não sabia nem por onde começar sua jornada em busca daquilo que a fazia bem.

Semana passada acordei com ânsia de viver, e por mais que eu sentia falta de muita coisa, isso começou a me ajudar na busca do que é a vida. Afinal, o que é a vida? Eu não sabia. Eu lembrava de tudo o que vivi. Do quanto sofri, do quanto sorri, e do quanto os sentimentos me ajudaram e chegar até aqui. E então, descobri.

Ontem acordei com ânsia de sonhar, mas é isso que estou fazendo. Com as dúvidas me cercando, me deparei com a vida batendo em minha porta. “Que bela surpresa!” – eu disse. Convidei-a para entrar e tomar uma gostosa xícara de café em minha companhia. Conversamos sobre algo como paz, sonhos, saudade, ilusão e tudo que me cercava. E então, eu sorri.

Hoje acordei com ânsia de viver. “Mas que bobagem, menina!” – eu pensei. “É disso que eu vivo, é isso que estou fazendo e é assim que seguirei.” Levantei da cama, com a vida em minha mochila. E parti.

Roubo

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Sempre me falaram que eu deveria fazer e sentir todas as coisas com todo meu coração e que a bondade e empatia fariam as pessoas à minha volta derreterem e perceberem que de nada vale a maldade. Mas acontece que o mundo pra mim têm se mostrado muito mais cruel do que eu imaginei que fosse. Sempre me falaram pra abrir minha alma para as pessoas que eu receberia a alma delas em troca, mas acontece também, que as coisas ao meu redor têm sido tão brutas e doloridas que estou vendo que preciso aprender a fechar meu coração e não mais abri-lo. E nada mais difícil pra mim do que tentar fechar a minha alma sabendo que ela sempre esteve aberta para qualquer um entrar e se sentir em casa. As pessoas começaram a bagunçar a minha casa. Eu sinto medo de ser roubada de mim mesma. E nunca pensei que diria isso, mas eu sinto medo do mundo, sinto medo das pessoas, e sinto medo da maldade que elas são capazes de fazer para me cegar. Sempre achei que quem entrasse na minha alma seria uma pessoa boa. Mas acontece que de boas falsas intenções o mundo está cheio.

Eu não sei ao certo como isso aconteceu. Não sei ao certo o porquê.

Mas alguém bagunçou minha alma.

Alguém me roubou de mim mesma.

Alguém me deixou com medo do mundo.

Esse é pra ti.

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Eu sei que tu não se importa consigo mesmo, e por mais que pareça idiota e por mais que tuas atitudes sejam idiotas: eu sigo me importando contigo. E eu sei que não deve ser fácil não saber ao certo o que quer, mas quero que saiba que eu vou estar aqui quando tudo começar a desabar. E mais que tudo, sinto que tu só vai saber o que quer da vida quando as coisas desabarem e sobrarem poucas opções.

Tudo parece difícil mas fácil demais ao mesmo tempo e é por esse motivo que não sabes o que quer. E é por esse motivo que estás perdido mesmo pensando que já se encontrou. Acredite em mim: vai demorar até tu se encontrar. Vai demorar até tu se entender. Vai demorar até eu entender o que se passa aí dentro. Mas quero que não esqueça que eu estarei aqui, por mais idiota que isso soe quando eu sussurro isso mentalmente pra ti o tempo todo.

Não sei se sabes, mas enquanto vejo tu de longe eu fico conversando e sussurrando coisas ao pé do teu ouvido pra ver se de certa forma consigo te ajudar. Porque sei que tu não quer ser ajudado. Porque sei que tu quer se virar sozinho. Tu precisas entender, meu bem. Entenda que às vezes precisamos de alguém pra nos guiar quando estamos perdidos. Mas tu não assume para si mesmo a perdição, não assume a falta de um mapa, não assume que está sem gasolina.

Mas eu te entendo um pouco. Eu quase-que-disse que eu te entendo, mas precisei citar o “um pouco” porque eu entendo e não entendo: tudo-ao-mesmo-tempo. Impossível entender. Tu me diz que ama a vida, mas esquece o sentido dela. Tu me diz que ama sonhar, mas esquece de que pra sonhar é preciso ter planos. Tu me diz que se importa, mas quando eu menos vejo já fugiu de mim. Já fugiu de todos. Já fugiu de si mesmo.

Não fuja de si mesmo. Não tenha medo de si mesmo. Não tenha medo de assumir teu verdadeiro eu. Não tenha medo das responsabilidades. Não tenha medo de planejar teus sonhos. Porque eu vou estar aqui. E sempre vai ter alguém aí além de mim pra te ajudar nisso tudo. Só acredite que tu é capaz, tá? Acredite. Alguém ainda segue confiando em ti. Sei que as pessoas podem ser passageiras na vida, e sei que isso não te machuca mais porque têm aprendido a viver sozinho e não sozinho também. Mas quero ser passageira do teu ônibus até estivermos chegando na parte em que tu desce comigo.

Me desculpa, tá? Esse texto aqui não é sobre críticas, sobre ajuda, sobre como as coisas podem estar difíceis ou sobre eu não entender tuas escolhas. Esse texto é sobre estar, é sobre eu querer te dizer que eu tô aqui. Tu pode se afastar, pode não querer, pode não entender, pode achar que eu deveria ser mais egoísta. Pode ser egoísta comigo. Pode me mandar embora. E eu posso concordar com tudo isso e realmente ir. Mas uma parte de mim, uma pequena-grande-parte ainda tá contigo. E vezenquando essa parte pode desaparecer. Pode parecer que não se importa. Pode parecer que te abandonou de vez. Mas ela quer permanecer aí contigo.

E ah, se tem uma palavra que pode resumir o que essa pequena grande parte minha quer ao teu lado é: ficar.

Fases

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É estranho me ver assim, eu sei. E é de se entender já que você me viu sempre sorrindo. Mas a verdade é que todos nós temos dias ruins, e hoje é um dos meus. Os últimos dias têm sido meus dias ruins. Eu sei que a dias atrás você me viu gargalhando, rindo e cantando. Eu sei que você ouviu eu falando que estava feliz. Eu estava, juro. Naquele momento eu estava. Mas os últimos dias têm sido difíceis, ainda mais pra mim que não sei o motivo certo de tudo isso, ainda mais pra mim que não tinha costume de estar triste: agora minha mente está estranhando essa minha mudança de sorrisos a não sorrisos.

Tenho vivido tudo intensamente mas quando os momentos felizes acabam, parece que a vida perde o sentido novamente. E acabo vivendo até a tristeza de uma forma intensa. E eu sei que não deveria ser assim e que eu deveria seguir feliz e tentar me importar menos com o mundo a minha volta. Mas eu me importo e é isso que têm me deixado preocupada até comigo mesma. As pessoas mudam suas atitudes de maneira tão repentina que fico com medo. Eu tenho medo de perde-las. Eu tenho medo de perder as pessoas que se importam, eu tenho medo das pessoas que se importam nunca terem realmente se importado e a verdade ser que eu sempre estive sozinha.

O mundo é difícil, meu bem. E eu sou fácil demais com todos que se aproximam e isso faz meu coração doer porque acabo pensando que todos que se aproximam realmente querem minha presença, quando na realidade nunca quiseram.

Mas não se assusta. Por favor, não se assusta. Logo mais vou estar sorrindo de novo, vou estar gargalhando de novo, vou estar te abraçando, dançando, cantando, vivendo. Logo mais você vai me ver andando por aí para mostrar pras pessoas que viver vale a pena. Esse foi só um tombo que acabei levando, uma falha. Logo vou me reerguer novamente.

A maior realidade de todas é que nem eu tenho me entendido. E eu só não quero que fujas de perto de mim por não me entender. Fica. Fica mais um pouco. Fica até isso passar. Não precisa ter medo de chegar perto de mim. Não precisa ter medo de se aquecer de amor (ou de dor). Amanhã ou depois, eu que vou estar te abraçando pra dizer que vai ficar tudo bem.