Indiferença

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O inverno chegou e junto dele a sua indiferença. Acabo não sabendo o que me dói mais: saber que era a coisa certa a se fazer ou ter que conviver com a ideia de que está tentando me esquecer de todas as maneiras possíveis.

Existem pessoas que não valem a pena. Que não valem seu sofrimento. As lágrimas. O querer estar. Não vale a pena dar carinho, afeto ou palavras de conforto. Existem pessoas que não valem a pena pelo simples fato de que, em algum momento, sem mais nem menos, irão jogar todos os bons momentos no lixo como se não significassem mais nada. É como andar abaixo de chuva e não querer se molhar. É como botar o dedo no fogo mas não querer se queimar. Esse tipo de pessoa quer tudo: mas não quer nada.

Mas qual o sentido da vida afinal, se não esses momentos de dúvidas constantes insistindo em fazer com que a gente viva? Por que fugir do sentido da vida?

Existem pessoas vazias. Vazias pois querem algo mas ao mesmo tempo possuem medo do envolvimento. Iludem para que se sintam fortes. Para que sintam os sentimentos do outro em mãos mas logo depois amassam cada palavra e gesto de carinho dito como se simplesmente fossem bolinhas de papel.

Isso pode doer. Pode machucar.

Mas eu prefiro ser uma bolinha de papel que pode ser desamassada do que ter uma alma vazia que não se pode fazer nada a respeito.

Paralisia

Eu segui adiante sem saber para onde. Eu segui adiante querendo saber meu lugar. Senti que ao olhar pro lado não me sentia segura. Ficando parada não me sentia segura. Paralisei por instantes. Resolvi seguir. Escolhas fazem parte de mim. Fazem parte da vida. Fazem parte de quem me tornei. Ainda perdida eu tento sorrir. Ainda machucada eu tento caminhar. Mas a maior certeza que tenho é de que aqui, parada, é o último lugar em que quero ficar. Corro alguns metros e me perco. Paraliso novamente.

Será meu destino toda essa paralisia? Ou ela só está tentando me parar porque sabe que não vai demorar p’eu me encontrar?

Meu dia

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O primeiro sorriso daquele meu dia aconteceu quando acordei com a sensação de que em algum momento tudo ficaria bem. Querendo ou não eu sabia. Ainda sei. O dia estava ensolarado mas mesmo que eu ouvisse o barulho da chuva antes mesmo de abrir os olhos, eu saberia, de alguma forma eu saberia que aquele seria um dia bom. As coisas parecem estar totalmente sem rumo – estou subindo a corda da minha vida e ela balança como nunca balançou antes, mas sei que logo estarei no topo novamente acenando para aqueles que sempre desejaram que eu caísse.

O segundo sorriso do meu dia foi quando recebi “olás” de pessoas que sempre quiseram o meu bem. O terceiro sorriso do meu dia aconteceu quando percebi que essas pessoas estavam ao meu lado. O quarto sorriso quando elas me fizeram crer de que eu sou uma pessoa maravilhosa. O quinto foi quando num abraço notei que elas sempre ficariam aqui para sempre.

Eu sentia como se estivesse queimando as mãos, como se meu coração estivesse explodindo e querendo mais – mas mais do quê? – eu nem sabia ao certo. Eu dependia de sorrisos. Eu dependo de sorrisos para assim conseguir enxergar que as coisas não serão tão difíceis. Para me fazer crer de que é questão de ter paciência. De acreditar. E de nunca esquecer que, independente das rachaduras, sou feita inteiramente de amor. Eu sou feita de amor. Meu coração. Minha mente. Tudo aqui é feito de amor. E é por isso que nem sempre eu consigo começar um dia sorrindo. Porque existem ódios gratuitos. Porque existem palavras que ferem. E existem atitudes que tentam fazer com que o amor dentro de mim acabe. Mas mal sabe o mundo que minha essência é amor e isso não tem como mudar.

O sexto sorriso do meu dia foi quando eu me permiti esquecer. O sétimo sorriso foi quando eu me permiti viver.

Todos os outros foram quando eu me permiti sentir amor por mim acima de qualquer amor. Por mais que muitas vezes eu queime as mãos tentando subir a corda até o topo. Por mais que eu fraqueje. Fique sem forças. Ainda consigo subir por amor. Ainda consigo subir por amor a mim.

E se tudo continuar seguindo como está, não precisarei contabilizar os sorrisos do meu dia porque serão incontáveis. E contarei quantas vezes me entristeci. E sei que serão poucas. Elas ainda existirão. Mas do que vale a vida sem os quase tombos causados tentando chegar ao topo?

Termino esse texto sorrindo.

Porque eu – e a maioria de vocês – sabe que a vida é feita de fases. Sorrir é o segredo.

Companhia

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Seja forte, moça. Mostre ao mundo do que tu é capaz. Mostre ao mundo que apesar de tudo, tu ainda consegue se reerguer e sorrir como se nada tivesse te abalado ali atrás. Não é fácil tudo isso. Não é fácil porque só tu sabe como amou – e talvez ainda ame – mas tudo que tu tem a fazer é parar de se importar e passar a se amar mais. Tente se amar mais. É disso que tudo depende. É disso que tua felicidade depende. Esqueça os outros. Esqueça. Finja que nada aconteceu. Se olhe nos espelho e não ligue mais pra quem tu amou. Tu se machucou. E isso não importa mais. Não irá mais importar a partir do momento que tu aprender que dá pra viver sozinha. Dá pra amar sozinha. Se amar sozinha. Tudo depende só de ti. Deixa as coisas acontecerem. E tudo bem se tudo der errado. Tu tem tu mesma ao teu lado. E é isso que mais importa.

Sobre desistências

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Vezenquando desistir pode ser a melhor coisa que podemos fazer a respeito de algo que nos machuca. Mas vezenquando desistir pode ser a pior coisa a ser feita quando algo nos faz bem mas escolhemos coisas para que depois, o sofrimento faça morada.

Confesso que tenho sentido medo de desistir de algo. E ao mesmo tempo alívio. Mas por mais que eu tenha desistido algo dentro de mim segue querendo insistir mesmo tendo total conhecimento que não vale a pena. Não vale a pena querer ajudar quem não quer ser ajudado. Não vale a pena querer morar no abraço de alguém que só quer uma estadia. Não adianta querer mergulhar no raso.

Eu nunca gostei de pessoas rasas. Mas na vida temos momentos em que pessoas rasas nos enganam e nos fazem acreditar em mares profundos e cheios de ondas boas para que possamos surfar na alma delas de forma intensa como nunca feito antes. Tudo pode ser desastre quando se tenta surfar sem nenhuma onda. Acabei tentando. Acabei caindo. Quase me afoguei. Porém, sigo com vontade de continuar insistindo pra ver se essa alma ainda vai ter alguma onda onde eu possa ficar. Um túnel onde eu possa surfar. Um abraço para que eu possa morar.

Sei que não vale a pena tudo isso. Mas desistências são difíceis pra mim. Desistências são doloridas, ainda mais quando ainda me importo. Minha mente me avisa. “Não se afoga, não se afoga, não se afoga.” Minha alma diz. “Tenta surfar mais uma vez. Mesmo doendo. Pessoas rasas às vezes podem aprender e se tornarem águas profundas.”

Mas a verdade é que águas profundas podem ser perigosas. Isso dói. Mas a profundidade é um desafio. Querendo ou não, eu gosto de desafios. E acho que por isso… Só por isso que não desisto. Só por isso que no fundo ainda quero.

Só por isso desistir está sendo difícil. Tuas palavras eram minhas águas mais profundas. Mas tuas atitudes eram rasas. Tu se tornou raso. Tu quis se tornar raso. Mesmo eu sendo uma das únicas pessoas do mundo que sabe o quão profundo tu pode ser.

Eu não desisti de mergulhar. Mas – felizmente ou infelizmente – não desisti de ficar na areia pra ver o quão raso tu se tornou.