Aquarela

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As folhas caem juntamente com a chuva lá fora. O vento quer me levar. Eu não quero que ele me leve. Quero permanecer onde estou para não perder esse instante. Ainda não faço ideia como serão as coisas daqui pra frente, então eu prefiro permanecer aqui para que assim, eu não perca esses sorrisos constantes que a vida me deu de presente. Mesmo sendo louco, eu não queria que o tempo passasse. Eu fico parada. Mesmo sabendo que a vida vai me dar de presente muito mais sorrisos. Eu me sinto completa. Mas sei que ainda irei transbordar e quando olhar para o lado estarei de mãos dadas com alguém que irá me fazer mergulhar sem que eu me afogue.

Não irei mais me afogar. Por mais que eu não saiba nadar eu sei que não irei mais me afogar porque tenho alguém que me salve.

Eu olho pra cima e não espero mais a chuva de trovoadas me atingir sem sequer me mover. Eu olho pra cima e eu sorrio para a chuva. O vento ainda quer me levar. Mas eu não quero me mover. Eu não quero que isso termine. Eu não posso permitir que esses sorrisos acabem.

Ainda chove lá fora. Ainda chove faz algum tempo. E parece que não vai parar tão cedo. Estranho pensar que por mais que os dias estejam cinzas eu ainda sinta meu coração tão colorido como nunca esteve antes.

É engraçado pensar que meu coração ficou colorido porque alguém fez dele a sua aquarela.

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Ventania

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Viaje em seus mais doces sonhos e acredite que tudo é possível. Procure por aquilo que lhe dá paz, porque é de paz que todos nós precisamos. E se encontrar paz você não sentirá falta de mais nada.

Não pense que os sonhos estão distantes. Não pense que que a vida é feita de tempestades pois, às vezes as tempestades existem para nos mostrar que não podemos viver apenas com aquilo que alcançamos porque simplesmente aquele não é o nosso destino.

É preciso viver a realidade, para assim, alcançarmos os nossos sonhos.

A ventania serve para nos mostrar o caminho certo. As gotas da chuva servem para nos dar um banho de realidade no momento em que estamos cansados daquilo que não queremos viver. E os relâmpagos servem para nos fazer acordar.

Acordar mas ainda assim perceber que se está sonhando. Porque não há nada mais doce do que estar de olhos abertos e ter a sensação de que ainda não acordou.

Triste seria

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Constantemente partes de mim voam pelos céus e passarinhos as levam sem nem previsão para a volta. E eu tenho medo. Constantemente essas partes de mim se perdem e sei que nunca mais as terei de volta. Nunca as tive. Se foram. As coisas vão sem previsão de retorno. Os sentimentos se vão sem nem termos certeza do que será. Eu não sabia o que seria de mim. Eu sinto medo. Eu sempre senti medo. Como se eu estivesse presa em um mundo que não era para ser o meu mundo.

Triste seria se eu não tivesse te encontrado. E mais triste seria se eu não tivesse te esperado. Mas eu sou paciente quando o assunto é sentir, e tu sabes muito bem disso. Partes de mim teriam se perdido pelo caminho e nada mais seria o mesmo. Mas sorte que te encontrei. Ou não tanta sorte assim. Acho que não existe sorte quando o assunto é sentir o real quando esse tal de real, é um sentimento que me aquece de forma com que me sinta em frente a uma lareira em nossa pequena cabana no inverno. E por mais que, talvez, pequenas partículas de mim tenham ficado pelo caminho, sinto-me mais completa: como se tu tivesse pego e trazido eu de volta para mim mesma. Eu me encontrei. Estranho ainda seria se não tivesse me encontrado. Sempre esperei pela bússola, e meio que havia desistido dela. A maior certeza de todas agora é que eu desisti de vez de me encontrar sozinha. Porque agora tenho as tuas palavras pra me ajudarem nessa busca incessante que é não me perder.

Avesso

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Eu quero estar junto até quando não estou. Sei que pode soar estranho mas eu só quero que perceba que estar perto pode ser estar dentro da minha alma mesmo e isso já aquece boa parte do meu coração de uma forma que nunca aconteceu antes. É louco pensar em como as coisas podem acontecer dessa forma, mas o melhor de tudo isso é saber que tudo segue louco como a gente mesmo. Tudo doido como a gente. Constantemente as coisas podem não estar organizadas dentro de nós, mas a gente se bagunça da nossa forma, e eu com certeza não me importo com essa bagunça. Não mais.

Eu não me importo mais com horas, se o dia faz sol ou chuva. Eu não me importo se o mundo está virado do avesso. Eu não me importo se algo não deu certo. Nada mais parece o mesmo. Sinto que o que realmente importa é sentir. Sentir as palavras, o silêncio, as conversas incansáveis e até mesmo as canções. O que importa é dizer a todo minuto que nada parece o mesmo e que o meu mundo ficou mais colorido.

E sim, é possível que ele tenha ficado muito mais vivo agora. É possível que talvez até as libélulas consigam sentir meu sorriso e me sorrirem de volta.

Eu sei, é estranho. Tá tudo estranho mesmo. E é um estranho bom de sentir. É um estranho que me aquece. É um estranho que não quero perder.

 

Mude o seu mundo.

 

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Passaram-se trinta dias desde minhas últimas palavras por aqui, e tenho que lhes contar que eu perdi minha bússola. Não, não a perdi sem querer perdê-la, mas a perdi porque não prestei mais atenção, a perdi porque queria perder, a perdi porque agora sinto que jogar as coisas para o alto pra ver no que vai dar parece uma boa opção pra mim.

Não vale mais a pena usar os pensamentos ruins como desculpa para não encontrar o caminho. Não vale a pena usar pessoas ruins como desculpa para dizer que se está sozinho, não vale a pena imaginar coisas e lutar por elas para depois se frustrar depois.

O que está valendo a pena: é o agora.

O agora é que tenho. O agora é a minha certeza. O amanhã não se sabe mais. Melhor seguir com certezas do que com dúvidas. Melhor viver sem medo do que esperar por tombos que não saberei se acontecerão.

Se alguém encontrou a minha bússola, espero que em algum momento perceba que não é tão bom quanto parece depender de algo pra tentar se encontrar. O que vale a pena mesmo são todas as coisas que podem deixar o mundo ao meu redor melhor. Um sorriso. Uma palavra. Um gesto. Fazer a diferença.

O egoísmo é uma droga. Viver apenas para si não é o caminho.

Eu quero viver para o mundo. Para mudar o meu mundo.

Bússola

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Apenas mais um daqueles dias eventualmente vazios em que as coisas parecem perdidas ou totalmente sem sentido, mas tudo isso por apenas não ter planos a seguir. Vezenquando eu me perco, mas as coisas são assim mesmo. Tento deixar a vida seguir um fluxo natural e calmo mas minha impaciência e ansiedade não são minhas companheiras nisso, temos opiniões diferentes e elas gritam constantemente de que preciso das coisas pra já. Apesar disso, eu gosto – e não gosto – da sensação de incerteza e de deixar tudo no seu tempo. Dias nublados não vão existir para sempre assim como dias ensolarados nem sempre acontecerão. Acontece que agora meu coração é a minha bússola e vou apenas obedecer os pensamentos dele.

Eu só preciso me conter. Quando me dou conta da velocidade que as coisas acontecem, já é tarde demais. E isso dói. Machuca. Sangra por dentro. Dói a alma por saber que poderia ter feito algo bom, e que por falta de tempo acabei não fazendo.

Eu tenho medo de me perder.

Isso todos já sabem.

Queria uma mão pra segurar caso tudo fosse perdido.

Um lar no teu abraço

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Estava eu perdida tentando me encontrar novamente em um abraço que não sabia a quem pertencia. Não estava fácil para mim desconfiar de quem eu sempre confiei, mas a verdade é de que querendo ou não, era necessário encontrar um novo lar. Eu tenho necessidade de segurança e ver a segurança perdida faz com que eu simplesmente pare de acreditar que exista uma solução para isso em minha vida. Como se eu precisasse de calor mas nem uma fogueira conseguisse me aquecer.

As coisas não estavam mais as mesmas, eu havia me encontrado mas logo depois passaram-se dias e me perdi novamente. Não conseguia mais me sentir aquecida por algo ou alguém. E fiquei triste, fiquei sem rumo, fiquei sem lar.

Foi então que, surpreendentemente, o abraço dele conseguiu fazer com que eu me sentisse segura. Me senti presa a ele. Me senti viva. Me vi sorrindo. Me vi com vontade de viver. Com vontade de falar. Me vi finalmente feliz por ser eu mesma. Mesmo tudo sendo e estando incerto. Mesmo sendo só por aquele momento. Mesmo sendo apenas naquele dia. Mesmo não sabendo quando o teria pela segunda vez. Eu encontrei meu lar por instantes. Eu me aqueci. E me congelei. Eu me aqueci mas ainda não era o suficiente. Estava no meu novo lar. Estava apenas de visita. Mas isso me bastava. É tudo que eu ainda preciso.

Momentos de incertezas continuam aqui dentro. E a vontade de me aquecer naquele abraço por mais um dia segue me corroendo mas ao mesmo tempo me fazendo sorrir. Era como se saber que aconteceu já fosse o bastante. Eu consegui me contentar com o fato de ter acontecido.

E por incrível que pareça, não é fácil para mim viver nessa dúvida e eterna espera por um novo dia. Mas se tudo isso for necessário para sentir isso tudo novamente, eu sigo esperando pelo novo dia em que sentirei aquele abraço mais uma vez.

Obrigada por ter me aquecido.

Reciprocidade

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Hoje eu acordei querendo algo mais. Acordei querendo uma mudança. Acordei tentando esquecer da monotonia e querendo mudar meus momentos. Hoje eu quis mais que tudo: mudar. Quis mudar meu pensamento. Mudar meu lugar. Mudar meu coração. Quis mudar meu coração para que, de certa forma, eu parasse de me contentar com tão pouco. Eu sei que isso por muitos lados pode ser bom, mas quando me contento com pouco acabo esquecendo os passos muito maiores que eu poderia dar e ando na ponta dos dedos quando passo por algo ou me aventuro em algo novo. O que eu quero mesmo é me jogar.

Me jogar nas escolhas (mesmo sabendo que muitas vezes eu possa quebrar a cara e perder o foco). Me jogar no amor (mesmo sabendo que pode não existir reciprocidade). Me jogar na vida (porque é disso que ela é feita).

Pra tudo isso basta eu esquecer o medo. E basta eu não temer tanto as pessoas. Eu as temo. Eu as temo porque só eu sei o que elas são capazes de fazer. Porque eu sei o quanto me machuquei e ainda vou me machucar. Mas eu sei também que eu não posso deixar de ver a beleza do mundo mesmo quando alguém tenta vendar meus olhos me fazendo quase acreditar que no mundo só existe crueldade.

O mundo é cruel. As pessoas são cruéis. Mas só vai existir crueldade e negatividade em nossa vida se nos permitirmos isso. Não vale a pena colocar algo na cabeça e de um dia pro outro mudar de ideia. O segredo da vida é viver. Eu devo viver. Não apenas respirar. A vida não tem graça se eu acabar passando meus dias fazendo as mesmas coisas, nos mesmos lugares, com as mesmas pessoas.

Eu acredito em reciprocidade. Eu acredito que a vida pode me sorrir se eu sorrir de volta. Eu acredito que quando alguém entra na nossa vida não entra por acaso. Tudo tem um sentido. Até quando alguém entra apenas para me bagunçar e depois vai embora. Posso aprender a arrumar essa bagunça por mais que demore uma eternidade para isso. A vida me sorri. Alguém ainda vai entrar na minha bagunça e me ajudar a organizar ela. E essa pessoa não vai querer sair do meio do meu caos.

Hoje acordei com vontade de mudar o meu mundo. Com vontade de viver. A vida me sorriu. E eu sorri de volta.

Indiferença

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O inverno chegou e junto dele a sua indiferença. Acabo não sabendo o que me dói mais: saber que era a coisa certa a se fazer ou ter que conviver com a ideia de que está tentando me esquecer de todas as maneiras possíveis.

Existem pessoas que não valem a pena. Que não valem seu sofrimento. As lágrimas. O querer estar. Não vale a pena dar carinho, afeto ou palavras de conforto. Existem pessoas que não valem a pena pelo simples fato de que, em algum momento, sem mais nem menos, irão jogar todos os bons momentos no lixo como se não significassem mais nada. É como andar abaixo de chuva e não querer se molhar. É como botar o dedo no fogo mas não querer se queimar. Esse tipo de pessoa quer tudo: mas não quer nada.

Mas qual o sentido da vida afinal, se não esses momentos de dúvidas constantes insistindo em fazer com que a gente viva? Por que fugir do sentido da vida?

Existem pessoas vazias. Vazias pois querem algo mas ao mesmo tempo possuem medo do envolvimento. Iludem para que se sintam fortes. Para que sintam os sentimentos do outro em mãos mas logo depois amassam cada palavra e gesto de carinho dito como se simplesmente fossem bolinhas de papel.

Isso pode doer. Pode machucar.

Mas eu prefiro ser uma bolinha de papel que pode ser desamassada do que ter uma alma vazia que não se pode fazer nada a respeito.

Paralisia

Eu segui adiante sem saber para onde. Eu segui adiante querendo saber meu lugar. Senti que ao olhar pro lado não me sentia segura. Ficando parada não me sentia segura. Paralisei por instantes. Resolvi seguir. Escolhas fazem parte de mim. Fazem parte da vida. Fazem parte de quem me tornei. Ainda perdida eu tento sorrir. Ainda machucada eu tento caminhar. Mas a maior certeza que tenho é de que aqui, parada, é o último lugar em que quero ficar. Corro alguns metros e me perco. Paraliso novamente.

Será meu destino toda essa paralisia? Ou ela só está tentando me parar porque sabe que não vai demorar p’eu me encontrar?