Avesso

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Eu quero estar junto até quando não estou. Sei que pode soar estranho mas eu só quero que perceba que estar perto pode ser estar dentro da minha alma mesmo e isso já aquece boa parte do meu coração de uma forma que nunca aconteceu antes. É louco pensar em como as coisas podem acontecer dessa forma, mas o melhor de tudo isso é saber que tudo segue louco como a gente mesmo. Tudo doido como a gente. Constantemente as coisas podem não estar organizadas dentro de nós, mas a gente se bagunça da nossa forma, e eu com certeza não me importo com essa bagunça. Não mais.

Eu não me importo mais com horas, se o dia faz sol ou chuva. Eu não me importo se o mundo está virado do avesso. Eu não me importo se algo não deu certo. Nada mais parece o mesmo. Sinto que o que realmente importa é sentir. Sentir as palavras, o silêncio, as conversas incansáveis e até mesmo as canções. O que importa é dizer a todo minuto que nada parece o mesmo e que o meu mundo ficou mais colorido.

E sim, é possível que ele tenha ficado muito mais vivo agora. É possível que talvez até as libélulas consigam sentir meu sorriso e me sorrirem de volta.

Eu sei, é estranho. Tá tudo estranho mesmo. E é um estranho bom de sentir. É um estranho que me aquece. É um estranho que não quero perder.

 

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Mude o seu mundo.

 

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Passaram-se trinta dias desde minhas últimas palavras por aqui, e tenho que lhes contar que eu perdi minha bússola. Não, não a perdi sem querer perdê-la, mas a perdi porque não prestei mais atenção, a perdi porque queria perder, a perdi porque agora sinto que jogar as coisas para o alto pra ver no que vai dar parece uma boa opção pra mim.

Não vale mais a pena usar os pensamentos ruins como desculpa para não encontrar o caminho. Não vale a pena usar pessoas ruins como desculpa para dizer que se está sozinho, não vale a pena imaginar coisas e lutar por elas para depois se frustrar depois.

O que está valendo a pena: é o agora.

O agora é que tenho. O agora é a minha certeza. O amanhã não se sabe mais. Melhor seguir com certezas do que com dúvidas. Melhor viver sem medo do que esperar por tombos que não saberei se acontecerão.

Se alguém encontrou a minha bússola, espero que em algum momento perceba que não é tão bom quanto parece depender de algo pra tentar se encontrar. O que vale a pena mesmo são todas as coisas que podem deixar o mundo ao meu redor melhor. Um sorriso. Uma palavra. Um gesto. Fazer a diferença.

O egoísmo é uma droga. Viver apenas para si não é o caminho.

Eu quero viver para o mundo. Para mudar o meu mundo.

Bússola

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Apenas mais um daqueles dias eventualmente vazios em que as coisas parecem perdidas ou totalmente sem sentido, mas tudo isso por apenas não ter planos a seguir. Vezenquando eu me perco, mas as coisas são assim mesmo. Tento deixar a vida seguir um fluxo natural e calmo mas minha impaciência e ansiedade não são minhas companheiras nisso, temos opiniões diferentes e elas gritam constantemente de que preciso das coisas pra já. Apesar disso, eu gosto – e não gosto – da sensação de incerteza e de deixar tudo no seu tempo. Dias nublados não vão existir para sempre assim como dias ensolarados nem sempre acontecerão. Acontece que agora meu coração é a minha bússola e vou apenas obedecer os pensamentos dele.

Eu só preciso me conter. Quando me dou conta da velocidade que as coisas acontecem, já é tarde demais. E isso dói. Machuca. Sangra por dentro. Dói a alma por saber que poderia ter feito algo bom, e que por falta de tempo acabei não fazendo.

Eu tenho medo de me perder.

Isso todos já sabem.

Queria uma mão pra segurar caso tudo fosse perdido.

Um lar no teu abraço

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Estava eu perdida tentando me encontrar novamente em um abraço que não sabia a quem pertencia. Não estava fácil para mim desconfiar de quem eu sempre confiei, mas a verdade é de que querendo ou não, era necessário encontrar um novo lar. Eu tenho necessidade de segurança e ver a segurança perdida faz com que eu simplesmente pare de acreditar que exista uma solução para isso em minha vida. Como se eu precisasse de calor mas nem uma fogueira conseguisse me aquecer.

As coisas não estavam mais as mesmas, eu havia me encontrado mas logo depois passaram-se dias e me perdi novamente. Não conseguia mais me sentir aquecida por algo ou alguém. E fiquei triste, fiquei sem rumo, fiquei sem lar.

Foi então que, surpreendentemente, o abraço dele conseguiu fazer com que eu me sentisse segura. Me senti presa a ele. Me senti viva. Me vi sorrindo. Me vi com vontade de viver. Com vontade de falar. Me vi finalmente feliz por ser eu mesma. Mesmo tudo sendo e estando incerto. Mesmo sendo só por aquele momento. Mesmo sendo apenas naquele dia. Mesmo não sabendo quando o teria pela segunda vez. Eu encontrei meu lar por instantes. Eu me aqueci. E me congelei. Eu me aqueci mas ainda não era o suficiente. Estava no meu novo lar. Estava apenas de visita. Mas isso me bastava. É tudo que eu ainda preciso.

Momentos de incertezas continuam aqui dentro. E a vontade de me aquecer naquele abraço por mais um dia segue me corroendo mas ao mesmo tempo me fazendo sorrir. Era como se saber que aconteceu já fosse o bastante. Eu consegui me contentar com o fato de ter acontecido.

E por incrível que pareça, não é fácil para mim viver nessa dúvida e eterna espera por um novo dia. Mas se tudo isso for necessário para sentir isso tudo novamente, eu sigo esperando pelo novo dia em que sentirei aquele abraço mais uma vez.

Obrigada por ter me aquecido.

Reciprocidade

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Hoje eu acordei querendo algo mais. Acordei querendo uma mudança. Acordei tentando esquecer da monotonia e querendo mudar meus momentos. Hoje eu quis mais que tudo: mudar. Quis mudar meu pensamento. Mudar meu lugar. Mudar meu coração. Quis mudar meu coração para que, de certa forma, eu parasse de me contentar com tão pouco. Eu sei que isso por muitos lados pode ser bom, mas quando me contento com pouco acabo esquecendo os passos muito maiores que eu poderia dar e ando na ponta dos dedos quando passo por algo ou me aventuro em algo novo. O que eu quero mesmo é me jogar.

Me jogar nas escolhas (mesmo sabendo que muitas vezes eu possa quebrar a cara e perder o foco). Me jogar no amor (mesmo sabendo que pode não existir reciprocidade). Me jogar na vida (porque é disso que ela é feita).

Pra tudo isso basta eu esquecer o medo. E basta eu não temer tanto as pessoas. Eu as temo. Eu as temo porque só eu sei o que elas são capazes de fazer. Porque eu sei o quanto me machuquei e ainda vou me machucar. Mas eu sei também que eu não posso deixar de ver a beleza do mundo mesmo quando alguém tenta vendar meus olhos me fazendo quase acreditar que no mundo só existe crueldade.

O mundo é cruel. As pessoas são cruéis. Mas só vai existir crueldade e negatividade em nossa vida se nos permitirmos isso. Não vale a pena colocar algo na cabeça e de um dia pro outro mudar de ideia. O segredo da vida é viver. Eu devo viver. Não apenas respirar. A vida não tem graça se eu acabar passando meus dias fazendo as mesmas coisas, nos mesmos lugares, com as mesmas pessoas.

Eu acredito em reciprocidade. Eu acredito que a vida pode me sorrir se eu sorrir de volta. Eu acredito que quando alguém entra na nossa vida não entra por acaso. Tudo tem um sentido. Até quando alguém entra apenas para me bagunçar e depois vai embora. Posso aprender a arrumar essa bagunça por mais que demore uma eternidade para isso. A vida me sorri. Alguém ainda vai entrar na minha bagunça e me ajudar a organizar ela. E essa pessoa não vai querer sair do meio do meu caos.

Hoje acordei com vontade de mudar o meu mundo. Com vontade de viver. A vida me sorriu. E eu sorri de volta.

Indiferença

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O inverno chegou e junto dele a sua indiferença. Acabo não sabendo o que me dói mais: saber que era a coisa certa a se fazer ou ter que conviver com a ideia de que está tentando me esquecer de todas as maneiras possíveis.

Existem pessoas que não valem a pena. Que não valem seu sofrimento. As lágrimas. O querer estar. Não vale a pena dar carinho, afeto ou palavras de conforto. Existem pessoas que não valem a pena pelo simples fato de que, em algum momento, sem mais nem menos, irão jogar todos os bons momentos no lixo como se não significassem mais nada. É como andar abaixo de chuva e não querer se molhar. É como botar o dedo no fogo mas não querer se queimar. Esse tipo de pessoa quer tudo: mas não quer nada.

Mas qual o sentido da vida afinal, se não esses momentos de dúvidas constantes insistindo em fazer com que a gente viva? Por que fugir do sentido da vida?

Existem pessoas vazias. Vazias pois querem algo mas ao mesmo tempo possuem medo do envolvimento. Iludem para que se sintam fortes. Para que sintam os sentimentos do outro em mãos mas logo depois amassam cada palavra e gesto de carinho dito como se simplesmente fossem bolinhas de papel.

Isso pode doer. Pode machucar.

Mas eu prefiro ser uma bolinha de papel que pode ser desamassada do que ter uma alma vazia que não se pode fazer nada a respeito.

Paralisia

Eu segui adiante sem saber para onde. Eu segui adiante querendo saber meu lugar. Senti que ao olhar pro lado não me sentia segura. Ficando parada não me sentia segura. Paralisei por instantes. Resolvi seguir. Escolhas fazem parte de mim. Fazem parte da vida. Fazem parte de quem me tornei. Ainda perdida eu tento sorrir. Ainda machucada eu tento caminhar. Mas a maior certeza que tenho é de que aqui, parada, é o último lugar em que quero ficar. Corro alguns metros e me perco. Paraliso novamente.

Será meu destino toda essa paralisia? Ou ela só está tentando me parar porque sabe que não vai demorar p’eu me encontrar?

Meu dia

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O primeiro sorriso daquele meu dia aconteceu quando acordei com a sensação de que em algum momento tudo ficaria bem. Querendo ou não eu sabia. Ainda sei. O dia estava ensolarado mas mesmo que eu ouvisse o barulho da chuva antes mesmo de abrir os olhos, eu saberia, de alguma forma eu saberia que aquele seria um dia bom. As coisas parecem estar totalmente sem rumo – estou subindo a corda da minha vida e ela balança como nunca balançou antes, mas sei que logo estarei no topo novamente acenando para aqueles que sempre desejaram que eu caísse.

O segundo sorriso do meu dia foi quando recebi “olás” de pessoas que sempre quiseram o meu bem. O terceiro sorriso do meu dia aconteceu quando percebi que essas pessoas estavam ao meu lado. O quarto sorriso quando elas me fizeram crer de que eu sou uma pessoa maravilhosa. O quinto foi quando num abraço notei que elas sempre ficariam aqui para sempre.

Eu sentia como se estivesse queimando as mãos, como se meu coração estivesse explodindo e querendo mais – mas mais do quê? – eu nem sabia ao certo. Eu dependia de sorrisos. Eu dependo de sorrisos para assim conseguir enxergar que as coisas não serão tão difíceis. Para me fazer crer de que é questão de ter paciência. De acreditar. E de nunca esquecer que, independente das rachaduras, sou feita inteiramente de amor. Eu sou feita de amor. Meu coração. Minha mente. Tudo aqui é feito de amor. E é por isso que nem sempre eu consigo começar um dia sorrindo. Porque existem ódios gratuitos. Porque existem palavras que ferem. E existem atitudes que tentam fazer com que o amor dentro de mim acabe. Mas mal sabe o mundo que minha essência é amor e isso não tem como mudar.

O sexto sorriso do meu dia foi quando eu me permiti esquecer. O sétimo sorriso foi quando eu me permiti viver.

Todos os outros foram quando eu me permiti sentir amor por mim acima de qualquer amor. Por mais que muitas vezes eu queime as mãos tentando subir a corda até o topo. Por mais que eu fraqueje. Fique sem forças. Ainda consigo subir por amor. Ainda consigo subir por amor a mim.

E se tudo continuar seguindo como está, não precisarei contabilizar os sorrisos do meu dia porque serão incontáveis. E contarei quantas vezes me entristeci. E sei que serão poucas. Elas ainda existirão. Mas do que vale a vida sem os quase tombos causados tentando chegar ao topo?

Termino esse texto sorrindo.

Porque eu – e a maioria de vocês – sabe que a vida é feita de fases. Sorrir é o segredo.

Companhia

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Seja forte, moça. Mostre ao mundo do que tu é capaz. Mostre ao mundo que apesar de tudo, tu ainda consegue se reerguer e sorrir como se nada tivesse te abalado ali atrás. Não é fácil tudo isso. Não é fácil porque só tu sabe como amou – e talvez ainda ame – mas tudo que tu tem a fazer é parar de se importar e passar a se amar mais. Tente se amar mais. É disso que tudo depende. É disso que tua felicidade depende. Esqueça os outros. Esqueça. Finja que nada aconteceu. Se olhe nos espelho e não ligue mais pra quem tu amou. Tu se machucou. E isso não importa mais. Não irá mais importar a partir do momento que tu aprender que dá pra viver sozinha. Dá pra amar sozinha. Se amar sozinha. Tudo depende só de ti. Deixa as coisas acontecerem. E tudo bem se tudo der errado. Tu tem tu mesma ao teu lado. E é isso que mais importa.

Sobre desistências

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Vezenquando desistir pode ser a melhor coisa que podemos fazer a respeito de algo que nos machuca. Mas vezenquando desistir pode ser a pior coisa a ser feita quando algo nos faz bem mas escolhemos coisas para que depois, o sofrimento faça morada.

Confesso que tenho sentido medo de desistir de algo. E ao mesmo tempo alívio. Mas por mais que eu tenha desistido algo dentro de mim segue querendo insistir mesmo tendo total conhecimento que não vale a pena. Não vale a pena querer ajudar quem não quer ser ajudado. Não vale a pena querer morar no abraço de alguém que só quer uma estadia. Não adianta querer mergulhar no raso.

Eu nunca gostei de pessoas rasas. Mas na vida temos momentos em que pessoas rasas nos enganam e nos fazem acreditar em mares profundos e cheios de ondas boas para que possamos surfar na alma delas de forma intensa como nunca feito antes. Tudo pode ser desastre quando se tenta surfar sem nenhuma onda. Acabei tentando. Acabei caindo. Quase me afoguei. Porém, sigo com vontade de continuar insistindo pra ver se essa alma ainda vai ter alguma onda onde eu possa ficar. Um túnel onde eu possa surfar. Um abraço para que eu possa morar.

Sei que não vale a pena tudo isso. Mas desistências são difíceis pra mim. Desistências são doloridas, ainda mais quando ainda me importo. Minha mente me avisa. “Não se afoga, não se afoga, não se afoga.” Minha alma diz. “Tenta surfar mais uma vez. Mesmo doendo. Pessoas rasas às vezes podem aprender e se tornarem águas profundas.”

Mas a verdade é que águas profundas podem ser perigosas. Isso dói. Mas a profundidade é um desafio. Querendo ou não, eu gosto de desafios. E acho que por isso… Só por isso que não desisto. Só por isso que no fundo ainda quero.

Só por isso desistir está sendo difícil. Tuas palavras eram minhas águas mais profundas. Mas tuas atitudes eram rasas. Tu se tornou raso. Tu quis se tornar raso. Mesmo eu sendo uma das únicas pessoas do mundo que sabe o quão profundo tu pode ser.

Eu não desisti de mergulhar. Mas – felizmente ou infelizmente – não desisti de ficar na areia pra ver o quão raso tu se tornou.