Ofuscada.

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Admirável mundo esse onde a vida me flutua enquanto respiro. Contudo que nada mude, eu continuo a sorrir para meu espelho e acabo encontrando a perfeição. Quão bom seria se os sorrisos fossem valiosos, digo, quão bom seria se isto fosse verdadeiramente verdadeiro. Repentinamente, a vida mostra-me outro lado da moeda, outro lado imperceptível aos olhos dos outros. Abro a janela da certeza e lá só enxergo o que eu já concluía: nada além de um deserto e um sol que queimava minha retina lentamente. Porém, minhas pernas se entrelaçaram entre si, como se não quisessem voltar. Mas eu queria. E queria mais que tudo. Lutei com todas as minhas forças, mas quando retornei todas as minhas páginas estavam amassadas. E foi então que eu enlouqueci. Continuo enlouquecendo. Não sabendo mais para que lado ir, ou para que lado chegar. Fico um tempo pensando em meu estado inevitável. Pra onde foi que a vida me levou, afinal? De nada sei. Fico pensando em formas e várias formas de encher esse buraco que surge em mim. Mas aí então, acontece algo inevitável. Um soco no estômago e o ar começa a poluir-se de sentimentos ruins que eu nem sequer sabia que existiam. Não ligo. Não posso ligar. Tudo parece sem sentido agora. E eu sinto que isso é recíproco. Digo, eu estou deixando essas coisas acontecerem, e tudo então, fica pior, a cada tic-tac do relógio, novas chances vão surgindo. Mas não enxergo na maioria das vezes, pois minhas pálpebras estão embaralhadas graças a essa solidão e essa dor sem sentido. Solidão repentina essa que confunde minha mente e me faz pensar vazio. Faz-me sonhar com o nada. O meio do nada. Nada. Nada parece mais fazer sentido. Pois é só o nada que existe. Por mais que eu finja que não, minha mente grita: SIM! SIM! SIM! Sim, eu já me acostumei com isso. Então, por esse motivo não temo mais o que ainda está por vir. Porque sei que depois das páginas amassadas, devo aprender a desamassá-las, para que então, eu escreva novas palavras formando assim, novos sentimentos. Sentimentos esses que espero que sejam bons. Que espero que não ofusquem minha visão. Espero que novas páginas surjam, novas páginas possam ser desamassadas. E para que mais que tudo, eu perceba que por mais inútil que tudo isso possa parecer, a dor é só uma exceção, e o que eu sinto é muito mais do que uma simples exceção. É a regra. Por mais que eu negue. A regra é sobretudo, o essencial. Independente do que o resto pode me fazer sentir. Certamente, as coisas ruins não poderão ser anuladas pelas boas. Mas não significa que as boas são minoria. Às vezes são a maioria. E na maioria das vezes, valem muito mais.

Tropeço

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No momento em que tropecei em meus próprios cadarços resolvi finalmente parar para observar a paisagem que me cercava. Essa tal de vida que seguia em minha frente costumava me cegar de uma forma inimaginável e mesmo assim, eu seguia querendo ver coisas que nunca havia visto antes, meio-sem-querer, eu acabava esquecendo que entre cada passo existiam barreiras, em cada barreira pedras, e em cada pedra uma espécie de abismo constante que, se eu caísse, sabia que um novo caminho surgiria e eu consequentemente ficaria mais perdida do que costumo ficar. Constantemente me via perdida e nem as migalhas deixadas pelos caminhos conseguiam fazer com que eu não me sentisse só. Colocava toda força que eu conseguisse pra suportar cada dor sentida, mas nem isso eu conseguia. Então, eu acabei fazendo algo que eu deveria ter feito a muito tempo: desamarrei meus cadarços, tirei o meu tênis, e segui descalça. Se for pra caminhar, que seja intensamente, se for pra sentir, que seja muito. Mesmo pisando em todas as pedras desse caminho, vezenquando eu, ao invés de ultrapassá-las, sentava em uma dessas pedras pra simplesmente observar a paisagem.

Existe coisa melhor do que sentir que se está vivendo?

Respira fundo.

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Te acalma, pequena. Tudo vai se encaixar. Tudo vai melhorar. Eu sei que é difícil. A vida costuma nos pregar peças que nunca iria passar pela tua cabeça que tudo isso iria acontecer. Respira fundo. Te acalma. Dói. Machuca. Mas toda ferida fecha, toda dor passa, tudo que te prende, vai te soltar. Sei que existem medos, e o medo é o que mais vai te ferir se tu não parar de pensar nisso. Veste teu melhor sorriso, sorria com teu mais lindo batom. Só não deixa de sorrir, tá? Porque o mundo precisa desse sorriso, o teu mundo todinho precisa desse sorriso. Só te acalma. E quando a maré alta baixar, não esquece de continuar nadando. Porque se tu esquecer, pode se afogar em ti mesma. E não existe nada pior do que querer viver, mas acabar se afogando.

Te acalma, pequena. E eu sei que tu vai se acalmar. Porque no fundo eu e todos que te conhecem sabem, que de pequena tu não tem nada.

Sinto pena de você

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Eu sinto pena de você, pessoa que não consegue viver sozinha, que vive de mentiras, que acha que fazendo certas coisas vai se sentir menos incompleta, mas não, só vai se sentir mais sozinha e vazia.
Sinto pena de você, sinto pena por acreditar em momentos que já tiveram fim, e mesmo assim, insiste em acreditar que tudo vai continuar bem, tudo legal, tudo ótimo. Acabou.
Eu sinto pena de você, que acha que deve sentir pena dos outros, que foge dos seus problemas, que engana a si mesma, que cria sentimentos pra que as pessoas se prendam a você, que se faz de vítima quando não aguenta suportar uma verdade, que acha que não conhece ninguém e ninguém merece sua confiança, mas não, você não conhece nem a si mesma, e não, não confia nem em si mesma.
Sinto pena de você, que às vezes sorri para esconder uma lágrima e chora para esconder uma aparente felicidade. Você sempre percebe o quão insensata é essa atitude, mas por pena de si mesma insiste em agir com tamanha insegurança.
Eu sinto pena de você que pensa que as pessoas te amam demais e você as magoa para se achar um fardo, pensa que você que ama, mas não, você não ama nem a si mesma. Você que precisa de tanto esforço pra conseguir sorrir.
Sinto pena por olhar com olhos tão inocentes para as coisas mais inimagináveis do mundo e mesmo assim desacreditar da sua própria vida.
Que inconsequente, que mutável, que imatura!
Sinto pena de você, por amar com tanta intensidade, por se machucar tanto com coisas que nem deviam fazer lágrimas jorrarem do seu rosto.

Eu sei o quanto você é triste. Não me pergunte como, mas seus olhos, eles nem brilham mais.

Um dia você vai se olhar no espelho e ver que o amor é que faz a vida, e que sua vida é uma mentira.

Sinta pena de si mesma.

Aleatoriedade

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Este é um texto daqueles que falam sobre mudanças. Que falam sobre heranças do passado. E sobre coisas que trazemos consigo mesmos para que tudo se torne o que é hoje. É um texto que fala sobre vontade de crescer e vontade de continuar pequeno para que nada se complique. Daqueles textos que dizem coisas que poucos entendem, mas que quem sabe como é, consegue sentir como ninguém.

Sentir.

Sentir é quando tudo faz sentido e nenhum sentido ao mesmo tempo. Os pensamentos voam de uma forma tão distante que parece que as coisas estão desabando mesmo estando tudo no lugar certo. Tudo onde realmente deveria estar. Viver é uma questão de escolha. Você sente porque quis sentir. Você ama porque quis amar. Você odeia porque algo no passado ou no presente te fez odiar.

Nada parece ter sentido agora.

Por que viver seria uma questão de escolha se vezenquando não escolhemos quando certas coisas ruins ou boas acontecem do nada?

Do nada.

Imagine o mar. Você mergulha no meio do oceano e não imagina o que pode encontrar lá. Você mergulha querendo coisas impressionantes, porém, pode ser atacada a qualquer momento. O que dizer então?

Acho agora podemos dizer que viver é uma questão de mar.

(A)mar.

E só.

Boas-voltas.

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Queria voltar com alguma coisa que realmente se parecesse comigo, mas nem sempre sei como sou, então resolvi ficar nessa dúvida. As coisas mudam. O tempo passa. E nem tudo que eu quis eu consegui, nem tudo que eu quero conseguirei. Mas queria voltar. Queria voltar e mostrar que por mais que ainda existam dúvidas nessa minha mente lotada de bons pensamentos, ainda consigo me sentir completa mesmo não estando.

Estou completa.

Mesmo não estando.

Não estou completa.

Mas sinto o contrário.

Queria voltar e dar o ar da graça para aqueles que pensavam que eu sumiria por mais um bom tempo. Tudo passa. E essa vontade de ser mais do que qualquer uma da vida de qualquer um.. Nunca irá passar.

Contudo, quero lhes dizer que voltei.

Talvez não da mesma forma.

Talvez não com boas palavras.

Mas com as melhores intenções do mundo.

Espero que continuem ao meu lado.

Doce inferno pessoal

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Não venha me falar merda. Não diga que o amor não é importante. Você respira amor mais do que respira mentira. Não minta, não finja que o amor só é formado de ilusão. Não fuja da realidade. Não se pode mergulhar em uma piscina de mentiras, pois a água dessa piscina não existe. É mentira. Você tem que perceber isso. Respire amor. Feche os olhos. Imagine as nuvens, e pense que elas são feitas de algodão doce. Elas não são de mentira quando você acredita que elas existem.

Fluxo.

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A vida costuma me pegar de surpresa… E quando eu menos espero, acabo em uma espécie de montanha-russa sem fim. Não sei mais o que eu sinto. Onde estou. Como estou. Com quem estou. O que eu penso é que é apenas um teste que foi colocado em meu caminho para que eu consequentemente enlouquecesse. Afinal, a vida é isso: Enlouquecer.

Loucura talvez seja a palavra exata para descrever tudo o que eu sinto em meu dia-a-dia. Sou uma constante mudança. Agora posso estar apenas enxergando a altura que aos poucos subo nessa montanha-russa, mas amanhã… Amanhã posso estar vivendo em um looping. Em um segundo estou bem e minutos depois, estou desmoronando, estou caindo, estou enlouquecendo.

Enlouquecer.

Tão fácil falar da vida. É tão fácil falar de momentos. De instantes. “E se?” “E se?” “E se?” Ah. Mas difícil mesmo é viver. É lutar. É não passar mal em cada giro, em cada manobra, em cada investida. Digo isso porque muitas vezes me pego pensando no futuro, no passado. Nos momentos. E o que me resta é o tempo. O tempo passou. O tempo vai passar. Vou descobrir meu destino apenas quando o futuro chegar. E não existe nada que eu possa fazer sobre isso.

Eu sou feita de momentos. Momentos de felicidade. Momentos de tristeza. Momentos que acho que vou cair e não vou mais conseguir levantar. Mas a cada destino, a cada vitória… Eu consigo perceber que a vida é um fluxo que nunca para.

A natureza encontrada.

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Com tanto encanto em seu mundinho, a pequena menina rodeada de natureza, brisa leve e poesia, decidiu aventurar-se mundo a fora à procura de algo que a envolvesse tanto quanto os seus livros favoritos. Não fosse as músicas agradáveis ou cada palavra que a prendia. Ela queria algo mais. Com medo e sem rumo, sua vida passou a seguir de acordo com um ciclo que ela nunca imaginou. Antes tão quieta, tão sozinha, tão calada. E agora, desvendando mistérios que nunca pensou que desvendaria.  A sua paz estava perto, tão perto que podia abraça-la. Sonhar já não era pretexto pra continuar, ela agora seguia sua vida em busca de seus próprios sonhos. Os pássaros a chamavam, cantavam a sua vitória com melodias doces que seus ouvidos não conseguiam parar de escutar. Com o tempo, seu pensamento começava a concluir, sussurrava para si mesma:

— Nem tudo acontece como eu gostaria que acontecesse. Mas a vida sorria para mim a cada novo amanhecer.

A natureza clamava a seu favor.

Novos dias se aproximavam.

E junto deles, a sua felicidade.